terça-feira, 12 de abril de 2011

HISTÓRIA DO TROPEIRISMO


     O Tropeirismo (condução de animais soltos ou de mercadorias em lombos de animais arriados) foi um ciclo da maior importância para a economia e a fixação do homem no interior do Brasil, quiçá tão importante quanto foram os ciclos do café, da cana-de-açúcar, do ouro, da borracha e outros.
 
      Foram as Reduções Jesuíticas que provocaram as primeiras atividades tropeiras no Sul da América. Os padres incentivaram os primeiros transportes em lombos de mulas entre os vários povoados missioneiros. E foram também os missioneiros os descobridores dos passos de travessia dos rios, principal obstáculo a essa atividade. Devem-se aos missioneiros a descoberta, por exemplo, do passos de Yapeyú, Mbororé e outros mais nos rios Uruguai, Iguaçu e outros, que serviram mais tarde aos tropeiros de origem lusa.
 
     De 1860 em diante, quando os lagunenses passaram a penetrar nos territórios ocupados pelos missioneiros no Rio Grande do Sul, o gado abundantemente aí existente passou a ser trazido para Laguna, de onde depois de abatido, a parte não consumida localmente era enviada para São Vicente e Lisboa, em forma de charque. Por esta época, a Colônia do Santíssimo Sacramento passou a ocupar espaço como centro de comércio, notadamente de contrabando, em reação ao rigor da coroa, da qual dependiam todas as atividades mercantis.

A história registra os seguintes nomes como principais tropeiros:

Francisco de Souza Faria (1717) - o pioneiro
Cristóvão Pereira de Abreu (1735) - o patriarca
João José de Barros (1808) - o paulista
José Pacheco de Carvalho (sem data) - da Lapa
Joaquim José de Almeida Taques, José Joaquim de Almeida Taques, Francisco de Macedo Taques (sem data) - todos de Castro
José Joaquim de Andrade (sem data) - de Sorocaba
Dr. Olivério Pillar (1875) - de Cruz Alta
Joaquim Antonio Pedroso (1856) - de Sorocaba
Maneco Pinto, José Antonio Rodrigues, Felipe Alves Machado, João da Silva e seu pai Potiguara do Prado (sem data) - todos de Carazinho
Manoel Gomes de Moraes ou Maneco Biriva (sem data) - de Júlio de Castilhos
João Ferreira Amado (sem data) - de Palmeira das Missões
Augusto Loureiro Lima, vulgo Duque (sem data) - de Porto Alegre
Maneco Bento, capataz de Pinheiro Machado e este (1898-1915) - de Cruz Alta.

(PORTAL AMIGOS DA TRADIÇÃO - http://www.portalgaucho.com.br/ )

terça-feira, 5 de abril de 2011

Mitos Gaúchos


A Bruxa

     O mito da Bruxa é tão antigo como atual no Rio Grande do Sul. De forma geral, acredita-se que a sétima filha mulher de um casal será bruxa, a menos que seja batizada pela irmã mais velha. 
     
     Ao contrário do Lobisomem, a Bruxa é uma pessoa má, que faz o mal e gosta disso. Suas vítimas são sempre crianças, bichos pequenos ou lavouras em crescimento, porque ela não tem capacidade para fazer mal às pessoas adultas, aos animais grandes e às plantas crescidas. Sua grande arma é o olho grande, que bota onde quer fazer o mal. Bichos embruxados, como ninhadas de pintos ou leitões, mirram e morrem. Lavouras murcham da mesma maneira. E crianças embruxadas ficam amarelas, minguam a olhos vistos e quando ficam nuazinhas, desenroladas das fraldas, cruzam os bracinhos e as perninhas. E assim, se não forem atendidas a tempo, morrem mesmo. 
     
     A bruxa é acusada de chupar o umbigo recém caído dos nenês. O melhor para afastar a Bruxa é uma figa, ou um chifre de boi ou um galho de arruda. Por isso, o primeiro presente que se deve dar ao bebê é uma figuinha de ouro, que ele deve Ter sempre na sua roupinha, junto ao corpo. Na porta da frente da casa, é recomendável se pendurar pelo menos um chifre, com galhos de arruda dentro e de preferência com extremidade inferiro esculpidas em forma de figa. No jardim, as pessoas devem sempre plantar arruda, cujo cheiro a Bruxa abomina. 

     Para se descobrir uma bruxa, tiram-se todos os móveis da cala da casa e aí, bem no meio, a dona da casa deve repetir três vezes, bem alto, o nome da mulher que ela acha que é bruxa e que é vizinha ou está por perto. Daí a pouco, se essa mulher é mesmo Bruxa, vai aparecer e perguntar, fingindo inocência: "A senhora me chamou, vizinha?" Ou então, pega uma peça de roupa da criança que está embruxada, para socar num pilão cravejada com alfinetes. Se aparecer uma mulher nas vizinhanças, com dores terríveis, ela é a Bruxa. Uma criança embruxada é facilmente reconhecível, pelos sintomas já descritos e é facilmente curável. Durante três sextas-feiras, no começo da manhã e no fim da tarde, uma pessoa de fé deve ascender duas velas na cama da criança embruxada, uma na cabeceira e outra nos pés e rezar o Pai-Nosso e a Ave-Maria até as velas se queimarem por inteiro. Ao fim das três semanas, a criança desembuxa mesmo.

O DIABO

     No mundo cristão, o Diabo aparece como a antítese de Deus, quase o seu alter-ego, a própria dialética da divindade. O gaúcho acredita firmemente no Diabo, tanto como acredita em Deus. De uma maneira geral, ele é visto como um anjo chamado Rafael, muito capaz e muito invejoso. Tão alto subiu, que quis se igualar a Deus e por isso foi precipitado nas profundezas do inferno. Tal capacidade do Diabo aparece numa das variantes da lenda da criação do Homem e da Mulher, por exemplo.

O LOBISOMEM

     Parece incrível, mas é verdade: às vésperas do Século XXI, o Rio Grande do Sul inteiro acredita firmemente em Lobisomem, do mais remoto rincão campeiro às cidades mais cosmopolitas, do ínvio recesso das matas às mais bulhentas praias do Atlântico Sul. 
     
     O mito Lobisomem é basicamente a crença em que determinados homens - sempre homens! - em determinadas circunstâncias podem se transformar em um monstro meio-lobo e meio-homem. O mito no Rio Grande do Sul sustenta que o sétimo filho homem de uma família será fatalmente o Lobisomem - a menos que seja batizado pelo irmão mais velho. 

     Há, também, forma folclórica de se transmitir o fado: quando um velho Lobisomem sente que vai morrer, ele fica sofrendo muito até passar o encargo a alguém mais moço. E não consegue morrer antes disso. Se tiver algum guri ou moço por perto, ele pergunta, simplesmente: "Tu queres?". O ingênuo normalmente acredita que se trata de algum presente, ou mesmo de herança e então responde: "Sim". Aí, o velho morre feliz, porque transmitiu o fado, conforme se expressa a linguagem popular. O homem que tem o fado do Lobisomem é sempre de raça branca, pelo - duro (ou seja, não há Lobisomem negro, alemão ou gringo), magro, de olhos no fundo, dentes salientes e cara de cor amarelada, muito pálido. Quase sempre mora sozinho. Mais raramente, vive com a mãe, uma velha muito estranha. Mais raramente ainda é casado e a mulher ignora o fato. Mora sempre em um rancho o mais isolado possível, obrigatoriamente com um galinheiro nos fundos. Se o próprio rancho não tem galinheiro, tem que haver um, por perto. 
     
     O fado do Lobisomem é uma cruz que ele carrega. Não fazendo mal a ninguém, ele é mais uma vítima do que um carrasco. Se é atacado, reage. E morde cachorros e até pessoas. Mas, se puder evitar isso, ele evita. Simplesmente o Lobisomem tem que cumprir o seu fado, que é comer nas sextas-feiras de lua cheia, da meia-noite até o clarear do dia, descrevendo um grande rodeio. À meia-noite ele se rebolca nos sujos das galinhas, rolando no chão e se transforma. Aí, corre a noite inteira, fazendo uma grande volta. 

     Quando o sol vai nascer, ele já está de regresso ao ponto de partida. Rebolca-se de novo no galinheiro e aí vira gente, outra vez. 

O SANGUANEL

     O Sanguanel é um mito da região ítalo-gaúcha, cuja crença é muito viva, ainda no presente. Ele é um ser pequeno, vivo, de cor vermelha que, a rigor, não faz mal pra ninguém, mas dá cada susto! Ele vive pelos pinheirais da serra e seu prazer é roubar crianças, as quais escondem no alto das árvores ou no meio das reboleiras do mato. Mas não judia delas. Pelo contrário, até traz mel numa folha e água, se tem sede. 

     Os pais, como loucos, procuram as crianças roubadas pelo Sanguanel estão sempre em estado de sonolência, lembrando pouco e mal das coisas que aconteceram, emobra não esqueçam a figura vermelha do Sanguanel, o ninho em cima de um pinheiro e o mel trazido numa folha. Mais raramente o Sanguanel se envolve com adultos. Nesses casos, assume o papel de vingador engraçado, fazendo picardias e provocações aos preguiçosos, bêbados ou não religiosos, mas tudo sem maldade.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Grande Nome da Musica Gaucha Tradicionalista..!! - Luciano Maia




Luciano Maia, um dos mais respeitados acordeonistas do sul do país na atualidade, iniciou seus estudos musicais aos nove anos, na cidade de Pelotas. Aos treze, o artista autodidata já era visto como fenômeno entre os que o ouviam nos festivais nativistas. Em 1995, já em Porto Alegre, integrou o tradicional grupo Quero-Quero. Logo em seguida, com apenas quinze anos, participou da gravação do disco “Todo o Homem do Pampa”.

Em 1998 produziu seu primeiro CD solo pela gravadora ACIT – “Sonho Novo” – que teve como convidado Edson Dutra. Em 2001 gravou “Minha Querência”, que contou com a participação especial de Luiz Carlos Borges. Em 2005 foi convidado para participar do projeto “Gaitaço de Sucessos”, da Galpão Crioulo Discos, um projeto de regravações de músicas que são clássicos do cancioneiro gaúcho. Em 2007, Maia apresentou ao público seu quarto CD: “Cruzando a Pampa”, pela gravadora USA Discos. O trabalho foi indicado pelo jornal Zero Hora como um dos cinco melhores CDs regionais de 2007 e recebeu o Prêmio Açorianos de Música como melhor disco regional do ano. Hoje Maia celebra o lançamento de “Encomenda”, CD que mostra ao público,  uma faceta antes pouco explorada pelo instrumentista: a de cantor.

Luciano já dividiu o palco com grandes músicos, entre eles: Luiz Carlos Borges,  Gilberto Monteiro, Luiz Marenco, Oscar dos Reis, Lucio Yanel, Renato Borghetti, Os Fagundes,  César Oliveira e Rogério Melo e com os mestres Raul Barboza, Dominguinhos, Hermeto Pascoal e Arismar do Espírito Santo.


O nome de Maia aparece em mais de 80 discos, entre CDs solo, parcerias, participações especiais, projetos culturais e gravações independentes. O artista também atua como produtor musical, compositor e arranjador, acumulando no currículo a produção de importantes trabalhos lançados na região sul do Brasil. Luciano já representou a música instrumental do Rio Grande do Sul em importantes projetos: Itaú Cultural "Rumos Musicais"; Sanfonia na Metrópole; III Mercado Cultural/ Strictly Mundial; O Brasil da Sanfona, Circular Brasil, Encontro Brasileiro do Acordeon, entre outros.

Um dos fundadores do premiado grupo Quartchêto, que apresenta música instrumental inspirada nas raízes gaúchas, Luciano  é também um dos compositores deste  grupo que vem se apresentando em importantes projetos no Brasil, tais como Natura Musical, Instrumental RS e Circular BR.

Reconhecido por sua atuação na música nativista gaúcha, Luciano Maia conquistou importantes prêmios do Rio Grande do Sul que incentivaram-no a cumprir a missão de unir sucesso com qualidade, entre os quais: Prêmio Açorianos 2003 - Revelação; Troféu Tesoura de Ouro Comparsa da Canção - Teclado; Prêmio Açorianos 2005 - Instrumentista Regional; Prêmio Vitor Mateus Teixeira 2005 - Instrumentista; e Prêmio Açorianos 2007 e 2009- Instrumentista Regional.

O indiscutível talento do acordeonista ganhou definitivamente o respeito do público e da crítica




( Luciano Maia - http://www.lucianomaia.com/Luciano_Maia/Home.html ) 
(YouTube - http://www.youtube.com/?gl=BR&hl=pt)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Tradicionalistas Famosos

Antonio Augusto Fagundes -  Advogado, compositor nascido em Alegrete. Autor de letras musicais e apresentador do programa "Galpão Crioulo".

 



João Cezimbra Jacques - Militar, ensaísta nascido em Santa Maria. É o patrono do tradicionalismo gaúcho. Pioneiro da afirmação gaúcha.

 






João Simões Lopes Neto - Jornalista, teatrólogo, contista, folclorista nascido em Pelotas. Deixou rica obra literária, como Contos Gauchescos, Casos do Romulado, Lendas do Sul.

 




João Carlos Paixão Cortes - Pesquisador, folclorista, cantor e ensaísta, nascido em Livramento. Ajudou a fundar o CT 35, publicou o "Manual de Danças Gaúchas", extensa produção literária.

 



Glauco Saraiva - Poeta regionalista nascido em São Jerônimo. Um dos pioneiros do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Autor da Carta de Princípios do MTG.

Luiz Carlos Barbosa Lessa - Advogado, jornalista, historiador e compositor, nascido em Piratini. Possui obra literária invejável. Foi secretário da cultura do Estado, compositor das músicas Negrinho do Pastoreio, Quero-quero, Balseiros do Rio Uruguai, Levanta Gaúcho. Possui vários trabalhos literários.



  


(SULMIX - http://www.sulmix.com.br/variedades_curiosidades/paginas/curiosidades002.html )

Folclore Gacho


     A palavra folclore – folk (povo) lore (saber,conhecimento) – foi criada pelo inglês Willian Thoms, em 22 de agosto de 1846, e este dia foi institucionalizado como o “Dia do Folclore” no mundo. No Brasil, o Dia do Folclore foi decretado em 1965, visando a “assegurar a mais ampla proteção às manifestações da criação popular não só estimulando sua investigação e estudo, como ainda defendendo a sobrevivência dos seus folguedos e artes, como elo valioso da continuidade tradicional brasileira.

     
Folclore é a ciência que estuda todas as manifestações espontâneas do povo, tanto do ponto de vista material quanto espiritual. Como o próprio nome sintetiza, é a ciência do povo, são as tradições, os costumes, as crenças populares, enfim, tudo que nasceu do povo e foi transmitido através das gerações.

     
Fato folclórico define-se como a parcela do conhecimento humano que se transmite no tempo e no espaço, de geração a geração, de camada cultural a camada cultural. Elemento dinâmico da cultura, modifica-se e transforma-se de região para região de acordo com o meio físico e social. São o modo de pensar, sentir e agir de um povo, preservados pela tradição popular e pela imitação. 
    
    “Nada melhor que as tradições para retemperar a saúde de nossa alma gaúcha”. A palavra tradição vem do latim “tradio” que significa entregar, transmitir, ensinar.

     
É o ato de transmitir os fatos culturais de natureza espiritual ou material, de geração em geração através dos tempos. É a memória cultural de um povo. A tradição gaúcha compreende o rico acervo cultural e moral do Rio Grande do Sul no campo literário, folclórico, musical, dos usos e costumes, do artesanato, dos esportes e das atividades rurais. Tradicionalismo é a arte de colocar em movimento as peças de uma tradição. O Tradicionalismo Gaúcho define-se como um estado de consciência que busca preservar as boas coisas do passado, sem conflitos, com o progresso, através de cultos e vivências.

     É basicamente, um movimento. Este movimento (tradicionalista), no Rio Grande do Sul, teve seu primeiro embrião na fundação do Partido Liberal Histórico, em 1860. É importante lembrar dois fatos que impulsionaram este movimento: - No ato de 1947, durante as comemorações da Semana da Pátria, foi incluído o translado dos restos mortais do Gal. David Canabarro – o segundo homem, em importância, da Revolução Farroupilha.

     
Por idéia da Liga de Defesa Nacional, e a partir da iniciativa do jovem estudante João Carlos Paixão Côrtes, foi feita a guarda de honra por gaúchos a cavalo; A criação do “35” Centro de Tradições Gaúchas por um grupo de jovens quase todos oriundos do interior do Estado, que aconteceu no dia 24 de abril de 1948, em Porto Alegre.

     
O MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho, entidade civil, sem fins lucrativos, com jurisdição em todo o território nacional, constitui-se em um movimento cívico, cultural e associativo. É o catalisador, disciplinador e orientados dos seus filiados (CTGs, Piquetes, Grupos de Arte Nativa e Folclore), centenas de entidades espalhadas por quase todos os recantos do país. Constitui-se na maior entidade associativa na América, tendo como objetivo a preservação do núcleo decorrente de sua Carta de Princípios e expressa nas decisões dos Congressos Tradicionalistas.

(Fonte: LIZANDRO ARAÚJO)

terça-feira, 15 de março de 2011

Califórnia da Canção Nativa


Histórico da Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul

      A Califórnia da Canção foi criada em 1971 por um grupo ligado ao CTG Sinuelo do Pago, em Uruguaiana, que resolveu montar um festival de música regionalista. Daquela data em diante o Festival passou a ser realizado pelo CTG Sinuelo do Pago coordenado pela Invernada Cultural.

     A denominação Califórnia vem do grego e significa conjunto de coisas belas. No Rio Grande do Sul, chamaram-se "Califórnias" as incursões guerreiras, lideradas por Chico Pedro, em 1850, na região cisplatina, atual Uruguai com objetivo de resgatar os bens de brasileiros lá radicados que sofriam perseguições.

     Mais tarde, o termo foi apropriado para corridas de cavalos, da qual participassem mais de dois mil animais. Nesse sentido o vocábulo caiu em desuso. O termo acabou prevalecendo com a significação de "conjunto de coisas belas" e "competições entre vários concorrentes em busca de grandes prêmios".
     Foi esta última acepção que inspirou o surgimento da Califórnia da Canção Nativa. Movimento riograndense de revalorização das referências e das tradições locais.

     O movimento reacendeu o orgulho nativista riograndense. Os jovens adotaram elementos da tradição gaúcha como o uso das bombachas, das mateiras e passaram a formar rodas de mate nas praças. Por sua importância e pioneirismo, a Califórnia é considerada o embrião de vários outros festivais semelhantes que passaram a acontecer em todo o Rio Grande do Sul, nas décadas subsequentes.

     Os concorrentes do Festival Califórnia disputam a "Calhandra de Ouro", prêmio máximo, que tem como símbolo a Calhandra, ave dos pampas, de canto múltiplo, que emudece no cativeiro, só cantando na liberdade do seu habitat. Tendo seu primeiro disco gravado em São Paulo, o movimento impulsionou o mercado de trabalho no Estado, que, hoje, conta com diversas gravadoras e uma grande quantidade de estúdios de gravações.

     Durante as noites de festival são realizadas tertúlias, que consiste em reuniões informais dos participantes do festival em suas barracas, na chamada cidade de lona, que abriga os músicos e famílias que acampam no Parque Agrícola e Pastoril.

     A Califórnia e seus similares constituem o aspecto musical do movimento regionalista gaúcho, que ganhou força a partir da segunda metade do século XX, buscando articular o culto e a preservação das tradições do povo gaúcho com o progresso. O movimento tem carta de princípios, na qual se expressam valores como o bem coletivo, preservação da história e do patrimônio social, como o dialeto gaúcho, a vestimenta típica e a culinária além de ideais como a fraternidade, tolerância e a união dos povos americanos.

     A premiação considera as variadas expressões da musicalidade riograndense, passando pela melhor canção pampeira, melhor conjunto vocal, melhor instrumentista, melhor conjunto instrumental, melhor letra, melhor arranjo, melhor intérprete, melhor canção inédita, música mais popular, havendo também premiação para obras de linha livre e obras de linha de manifestação riograndense.

      Há também premiação para o que se considerar a grande campeã, sobre todas as outras, esta recebe o troféu “Calhandra de Ouro”, considerado pelos artistas o “Oscar” do nativismo.

     Depois de ter sua edição cancelada na data tradicional do mês de dezembro, a 37ª Califórnia da Canção Nativa está novamente programada para os dias 07, 08, 09 e 10 de abril de 2011. Desta feita a comissão organizadora promete uma realização marcante em 2011, ambientada no Parque Agrícola e Pastoril de Uruguaiana. 
     
      Além da tradicional competição de composições, o evento terá shows com artistas de renome nacional, feira de produtos diversos, seminário cultural, rodeio cultural tradicionalista e festa campeira. A realização é do CTG Sinuelo do Pago.
 
     ACalifórnia da Canção Nativa é considerada a "celula mater" do movimento nativista do Rio Grande do Sul que conta atualmente com cerca de 50 festivais sendo realizados a cada ano, a maioria deles inspirados no modelo inicial da Califórnia.


( Sinuelo do Pago - http://www.sinuelodopago.com.br/california.html)

segunda-feira, 7 de março de 2011

Curiosidades do Chimarrão

Chimarrão


     Mate amargo (sem açúcar) que se toma numa cuia de porungo por uma bomba de metal. Atribue-se ao chimarrão propriedades   desintoxicastes, particularmente      eficazes numa alimentação rica em carnes.


     A tradição do chimarrão é antiga. Soldados espanhóis aportaram em Cuba, foram ao México “capturar” os conhecimentos das civilizações Maia e Azteca, e em 1536 chegaram à foz do Rio Paraguay. No local, impressionados com a fertilidade da terra às margens do rio, fundaram a primeira cidade da América Latina, Assunción del Paraguay.

      Os desbravadores, nômades por natureza, com saudades de casa e longe de suas mulheres, estavam acostumados a grandes “borracheras” – porres memoráveis que muitas vezes duravam a noite toda. No dia seguinte, acordavam com uma ressaca proporcional. Os soldados observaram que tomando o estranho chá de ervas utilizado pelos índios Guarany o dia seguinte ficava bem melhor e a ressaca sumia por completo. 

     Assim, o chimarrão começou a ser transportado pelo Rio Grande na garupa dos soldados espanhóis. As margens do Rio Paraguay guardavam uma floresta de taquaras, que eram cortadas pelos soldados na forma de copo. A bomba de chimarrão que se conhece hoje também era feita com um pequeno cano dessas taquaras, com alguns furos na parte inferior e aberta em cima.
 
(Lucia Porto -  jornal Zero Hora )

Novos Nomes da Musica Tradicionalistas - Sonido del Alma Gaucha..!!

O grupo “Sonido del Alma Gaucha” foi formado no ano de 2003.

Desde então, tem o maior cuidado com o repertório: As músicas são escolhidas levando-se em consideração a letra – deve retratar a vida do homem Riograndense e Platino, atentando para o ritmo, que deve obedecer ao estilo característico das mesmas regiões.

Tem como eixo norteador do seu trabalho, apresentar os valores literário-musicais do Gaúcho, concomitantemente com as músicas do folclore Platino.


(Sonido del Alma Gaucha - http://www.sonidodelalmagaucha.com.br/)

quarta-feira, 2 de março de 2011

Grandes Nomes da Musica Gaucha Tradicionalista..!! - Walther Morais

Walther Morais, natural de Palmeira das Missões, ficou conhecido também como compositor, graças ao sucesso de suas músicas. Quando, integrante durante seis anos do grupo musical Os Serranos, teve várias composições gravadas, e interpretadas pelo artista, sucesso lembrados até hoje, como Criado em Galpão, Tordilho Negro, Roda que Roda, Lida de Costeiro, Aos Domingos, Bagual Corcoveador, entre outros.

     Em 1998, recebeu o Troféu Laçador, como melhor cantor gaúcho e a melhor música do ano com o título Criado em Galpão. 

     Em 1999, foi contemplado com prêmio de música mais popular, na Sapecada da Canção Gaúcha com a música Leão do Cajuru. Ainda em 1999, Com a música Campeiro do Rio Grande, classificada em terceiro lugar no Carijo da Canção Gaúcha de Palmeira das Missões.
   
  Em 2000 foi o vencedor da Vigília da Canção Gaúcha de Cachoeira do Sul, com a música El Cardal. Ainda em 2000, em Rosário do Sul ganhou a linha campeira, em 2001 ganhou o festival, Carijo da Canção Gaucha de Palmeira das Missões, com a música Minha Terra da Palmeira, sendo que a mesma hoje é cantada por todos palmeirenses é está oficializada hino popular de Palmeira das Missões RS.
    
Walther Morais, teve participação efetiva em todos os grandes festivais e feiras agropecuárias do sul do país. Cinco CDs. Solos gravados: Dois pela gravadora Atração Fonográfica, Com os respectivos títulos: O 1º Não é Gaúcho Quem Não Gostar de Cavalo, O 2º Campeiro do Rio Grande, tendo como sucessos; Não é Gaúcho Quem não Gostar de Cavalo, Domando a Cordeona, Bagual Corcoveador, Criado em Galpão, Fandangueiro, Rebeldia, Dia de Chuva, Doma Tradicional, e um clássico brasileiro, "Do Iapoque ao Cauí". O 3º CD agora pela gravadora ACIT, com o título: Pra não Falar em Cavalo, com os seguintes sucessos, Um Fandango no Meu Pago, Leão do Cajuru, A Volta do Tordilho Negro e outros.
   
  O 4º CD também com a gravadora ACIT, além da faixa título "Loco de Bom" traz outro sucessos como, Pra Ser Feliz no Sul, Uma Noite no Rio Grande, De Campo, Canta Brasil, Minha Terra da Palmeira, além de quatro regravações:Três clássicos gaúchos; Saudade dos Pagos, de Gildo de Freitas, Batendo Chicaca, de (Jorge Guedes e Adalberto Machado), Segredos do Meu Cambicho, de (Doroteo Fagundes e Atanásio Borges Pinto), e o clássico brasileiro "Romaria" de Renato Teixeira.
   
  O 5º CD, "De Gaúchos e Cavalos"; Lançamento pela gravadora ACIT, em março de 2004, músicas que vem se destacando neste novo trabalho: Bochincho, Lá das Bibocas, De Cima do Arreio, De Gaúchos e Cavalos
Romance de Lua e Estrada, Sovando Lombo de Potro e outras.
  
  O 6º CD, "Levando o Sul Nos Arreios"; Lançamento pela gravadora ACIT, em setembro de 2005, as mais pedidas: Levando o Sul nos Arreios que empresta o título ao CD e também está no FESTCHÊ III gravado ao vivo dia 02/03/2006 na Festa da Uva em Caxias do Sul, Campeiro no Más, No Estilo de Santiago, O Som do Sul, Costeio de Domador e outras; No mês de fevereiro de 2008, Walther Morais lançou seu primeiro DVD, "WALTHER MORAIS AO VIVO NA CRIUVA" através da gravadora ACIT e 1º CD ao vivo, com o título "WALTHER MORAIS AO VIVO NA CRIUVA".
   
  No mês de março de 2008, Walther recebeu uma homenagem de cidadão honorário do município de Lageado do Bugre, Pois Walther é natural deste município, na época distrito de Palmeira das Missões, sendo que tem versos que retratam isto em suas musicas, tal como: "arroio do bugre um pedaço de mim" Letra de Salvador Lamberty e musica de Walther Morais.
   
  Walther Morais preenche com competência e talento o espaço deixado por grandes valores do passado, com temas campeiros, com estilo próprio, cantando O rio Grande e levando a nossa cultura através da sua música por todo o Brasil, vale a pena conferir.