terça-feira, 26 de outubro de 2010

Enart - Encontro de Artes e Tradiçoes Gauchas

O Encontro de Artes e Tradição Gaúcha – Enart, do Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul, durante muito tempo premiou grupos com indumentárias muito elaboradas e com adereços cada vez mais sofisticados e mais caros. Isso se deu, naturalmente, devido ao deslumbre de alguns avaliadores, que se esqueceram de observar o fundamento principal da Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense: a simplicidade dos gaúchos interioranos, a qual deveria estar refletida nas nossas danças gaúchas tradicionais.

É claro que nos últimos anos só venceram as Invernadas dos grandes Centros de Tradições Gaúchas - CTGs. A simplicidade dos gaúchos campeiros foi, visivelmente, deixada de lado para premiar grupos com um maior poder aquisitivo e melhores condições para investir em cenários caros e excessivamente elaborados.

Essa força econômica se fez prevalecer sobre a sobriedade e a simplicidade daqueles que originaram os usos e os costumes da Tradição a ser cultuada e apresentada naquele Encontro Cultural Artístico-tradicionalista: os gaúchos simples do interior do Rio Grande do Sul.

Com isso, muitas Invernadas Artísticas se profissionalizaram, ainda que de forma extra-oficial. A força dos pilas na guaiaca trouxeram profissionais das artes coreográficas do mais alto gabarito, esmagando a simplicidade, própria da Tradição Gaúcha Sul-brasileira, das Invernadas dos pequenos CTGs. Esmagadas, impossibilitadas ficaram elas de concorrer, em igualdade de condições, com as poderosas Invernadas e os seus potenciais financeiros! Enquanto os dançarinos, coreógrafos e instrutores destas desfrutam desses privilégios econômicos, dedicando-se mais aos ensaios, as outras Entidades Tradicionalistas coadjuvantes precisam contar com a prata da casa - pessoas que muitas vezes enfrentam jornada dupla de trabalho; que saem do trabalho depois de um dia cansativo e adentram no CTG para ensaiar uma garotada também cansada.
Alguns desses Grupos de Danças Tradicionais Gaúchas ensaiam até às 24:00 hs, todos os dias, e ainda têm de garimpar verbas para comprar indumentárias e contratar músicos. Ensaiam com dedicação, já sabendo que jamais chegarão entre os primeiros no Enart, não pela falta de qualidade na execução das danças tradicionais, mas em virtude do efeito visual que enfeitiça aos “tradicionalistas” avaliadores; aquela pantomima toda, que só o dinheiro pode promover. Não é preciso dizer que a conseqüência de tudo isso é o esvaziamento das Invernadas Artísticas dos CTGs menores e mais simples, pois estes não se submetem a ver os seus jovens participando de Eventos Tradicionalistas sem a mínima chance de lutar pelas primeiras classificações, de igual pra igual com os “profissionalizados”.

E todo esse luxo empregado por uns vai redundar no afastamento dos mais simples. Em algumas Regiões Tradicionalistas já sobram vagas. E nas classificatórias todas as Invernadas já estão, de antemão, classificadas. Agora, para que não se termine o Enart, contando com poucos concorrentes, como no futebol, criou-se a Segunda Divisão, uma espécie de consolo!

Os dirigentes, ao invés de retomarem os caminhos originais do Tradicionalismo Gaúcho, resgatando a simplicidade peculiar do gaúcho, resolveram separar os pobres dos ricos, esquecendo-se da Tradição!

A continuar assim, em breve teremos a Terceira Divisão! Para os observadores mais atentos, esta divisão há muito já existia. Os medalhões - dançarinos e dançarinas das grandes Invernadas - não conversavam com os componentes das mais pobres, nem para uma prosa nem para tomar um chimarrão! E continuam não se misturando! Talvez porque, para eles, pobreza esteja equiparada a uma doença contagiosa!

Desfilam em grupos, narizinhos empinados, olhando com desdém para a plebe: peões e prendas gaúchos, legítimos representantes da simplicidade tradicional dos campeiros sul-rio-grandenses; Tradicionalistas Gaúchos fazendo Tradição, nesses Encontros Culturais Regionalistas Sul-rio-grandenses, os Enarts, promovidos pelo Tradicionalismo Gaúcho organizado do Estado do Rio Grande do Sul! (do colaborador e Mangrulho do ONTG no Sul do Brasil: Ademir Canabarro - um Missioneiro!)



(PagoLitoraneo - http://pagolitoraneo.blogspot.com/2008/11/os-caminhos-do-enart.html)
(You Tube - http://www.youtube.com/watch?v=C3Z9SaM4l8c)

terça-feira, 19 de outubro de 2010



O Enart..!! Faltam Apenas 29 Dias

O que é o Enart e sua História

MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização – Na década de 70, este movimento empenhava-se em combater o alto nível de analfabetismo no país. No Rio Grande do Sul, além de alfabetizar, também almejava divulgar a cultura como forma de elevar a auto-estima da população e oportunizar o surgimento de novos valores artísticos. O professor e advogado Praxedes da Silva Machado, responsável cultural pelo Mobral na época, buscou a parceria do Movimento Tradicionalista Gaúcho e, com a participação do IGTF – Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, criaram o Festival Estadual de Arte Popular e Folclore, que se popularizou como Festival Estadual do Mobral. O evento foi idealizado para ser itinerante, isto é, cada ano em uma cidade diferente.

A primeira edição deste festival foi no ano de 1977, cuja fase final realizada na cidade de Bento Gonçalves. A 2ª em 1978 - Porto Alegre, a 3ª em 1979 - Lajeado, a 4ª em 1980 - Cachoeira do Sul, a 5ª em 1981 - Lagoa Vermelha, a 6ª em 1982 - Canguçu, a 7ª em 1983 - Soledade e a 8ª em 1984 - Farroupilha. Em 1985, a 9ª edição seria em Rio Pardo, como as autoridades do município desistiram, Farroupilha sediou novamente. Decidiu-se então não mais alternar o local, uma vez que Farroupilha se propunha em continuar realizando anualmente a final.

A partir de 1986, o evento passa a ser promovido pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho e muda de nome: FEGART – Festival Gaúcho de Arte e Tradição, sempre no último final de semana de outubro, permanecendo em Farroupilha da 1ª à 11ª edições, portanto até o ano de 1996. Tendo em vista o crescimento do festival, em 1997 (12ª edição) transferiu-se para Santa Cruz do Sul e por questões judiciais, muda de nome em 1999: ENART – Encontro de Artes e Tradição Gaúcha, que neste ano de 2010 será realizada a 25ª edição do ENART (bodas de prata) e 34ª edição desde o festival originário (MOBRAL).

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Simbolos Tradicionalismo Gaucho

Os símbolos do gauchismo e do tradicionalismo gaúcho, por sua cultura, são:

Chama Crioula

Como o Fogo Simbólico, que simboliza o espírito do culto à Pátria, a
chama Crioula encarna a magnitude da Tradição gaúcha. A Chama Crioula de 1947, transformou-se num símbolo gaúcho, para arder nos Centros de Tradições Gaúchas, nas Semanas Farroupilhas e em outros eventos tradicionais. É a representação do amor ao pago. O ideal do, também símbolo tradicionalista, folclorista Paixão Corte, com aquele primeiro facho traduziu a fertilidade da cultura que se perpetua na ronda legada aos tradicionalistas: a chama da alma gaúcha!

Erva Mate


Entre os símbolos tradicionais do gaúcho, a Ilex Paraguayensis, sem dúvida, é destaque, pois ela é a provedora da seiva que marca o mais ardoroso hábito gauchesco: o de chimarrear.

Estrela Boieira

Estrela d’Alva, ou Planeta Vênus. A Estrela Boieira surge no poente logo ao anoitecer, e no nascent
e, pela madrugada, antes do sol raiar. Guia inconstante dos boiadeiros, a estrela d’Alva é o Guia inconstante dos boiadeiros, a estrela d’Alva é o símbolo do gaúcho, que nas tropeadas aprendeu a admirá-la.

Quero Quero

O tradicional sentinela das coxilhas, pertence à família “Vanellus Chilensis”. Incontestavelmente é, este pernalta ereto, o vigia avançado de cada pago. O quero-quero nunca pousa em árvores, ou palanques, mas somente no solo. Vivendo comumente em casais, jamais abandona seus ninhos e filhotes, defendendo-os bravamente, num exemplo que deveria ser seguido por muitos homens e mulheres. Quando sente-se ameaçado investe-se contra o invasor de seu domínio, com gritos de alvoroço, com vôos rasantes. Com pertinácia, para despistar quem procura localizar seu ninho ou filhote, ele vai gritar, simulando preocupação, longe do local em que os mesmos se encontram.

Rosa

A rainha das flores é considerada um símbolo da cultura gaúcha. Aparece na bomba do mate, de cuja nomenclatura dada ao anel, ou refreador, também é conhecido por “botão de rosa”, quando assim estilizado. Pertence à família das Rosáceas, as prendas usam-na no cabelo.

Umbu

Da família das fitolacáceas, é uma árvore de
grande tamanho, cujas raízes saem à flor da terra, que pela copada, produz excelente sombra. É, como o pinheiro e a figueira, uma árvore simbólica do rio Grande Sul. Seu crescimento é rápido. Seus frutos, em bagas, são nutritivos.

Outros

Existem coisas, sentimentos, palavras, e seres que simbolizam o gauchismo, mesmo que não oficializados, vamos assim dizer, mas pelo tanto que representam ao tradicionalismo. Os de maior significado, ao nosso entender, são: Boleadeiras, Bombacha, Carreta, Chimarrão, Chiripá, Chula, Churrasco, Estância, Fandango, Farrapo, Figueira, Fogo-de-chão, Gado, Galpão, Gaudério, Guasca, Hospitalidade, Laço, Martín Fierro, Minuano, Missioneiro, Negrinho do Pastoreio, Pago, Pala, Pampa, Pingo, Pinheiro, Querência, Retovar, Sepé-Tiaraju, Sinuelo, Taita, Tapera, Tava, Vaqueano entre outros.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O Cavalo..!! "O cavalo é o maior companheiro do gaúcho. Nas lidas campeiras ele é o senhor das distâncias, a maior relíquia do peão posteiro".

O cavalo foi introduzido no atual território rio-grandense, em 1634, pelos padres jesuítas, nas Missões. Era a presença majestosa do primeiro cavalo, em nossa terra. Molhado pelas águas do Rio Uruguai, pisou em nosso solo, selando a convivência campeira das três pátrias irmãs: Uruguai, Brasil e Argentina.

O cavalo era desconhecido dos nativos e em pouco tempo tornou-se o maior patrimônio guerreiro dos índios Charruas, Jaros, guaranis, Minuanos, etc., que habitavam a região do Tape. Os Charruas foram os mais hábeis cavaleiros de nossa história. Muitas reduções jesuíticas receberam o cavalo pelos índios Jaros, nas investidas contra os Charruas.

Quando o cavalo pisava o solo pampeano, pela primeira vez, seu relincho altivo foi a marca da soberania de uma era. O cavalo entrou em nosso Estado, seguindo a mesma rota do gado “Aspas Longas’, aqui chamado de ”Gado Franqueiro”, trazido do Uruguai, pelos missioneiros. Essa raça bovina encontramos, até hoje, em nossa tropa sul-rio-grandense.

O Rio Grande do Sul tem tradição na criação de cavalos. O Cavalo Crioulo desenvolveu muito, levando nos cascos, para todo o Brasil, a mistura dos pisoteios do trabalho, dos desfiles de convivência, das provas de cancha reta, da elegante imponência e de muitos rufos de balas. O verde pampa é um painel de uma terra tão heróica, estampado na linhagem de uma raça bem crioula.

O cavalo, em nossa rica linguagem regionalista, é chamado, carinhosamente de “Pingo”. Muitos escritores regionalistas sustentam que pingo é o cavalo bom, corredor, vistoso, árdego e fogoso. Defendemos a tese do animal pequeno e corredor, que teria, inicialmente, sido chamado de pingo.

O cavalo ocupa lugar de destaque em nossa terra. O homem doma o cavalo para tomar seus serviços. A convivência desenvolve o companheirismo, dotando-os de uma mútua afeição. Com que carinho o peão trata, com alfafa, na estrebaria, seu pingo de estimação. Prova desse entendimento mútuo está no episódio da morte de Sepé Tiaraju, quando seu cavalo, deixando fluir o sentimento, tudo fez para salvar seu companheiro de lutas.

O cavalo é o centro das atenções nas carreiradas, tropeadas, rodeios, campereadas, marcações, domas e, especialmente, nos desfiles comemorativos. O cavalo foi uma das principais armas dos guerreiros de antanho. Um homem bem montado tinha passaporte garantido para a vitória. Tanto que, no Velho Mundo, numa sangrenta batalha, um poderoso rei, sentindo-se derrotado, proferiu a famosa frase: “Meu reino por um cavalo”! Oferecia a coroa real em troca de um cavalo.

O gaúcho nunca se separa do cavalo, montando-o, sempre, pela esquerda. A direita é o lado de laçar. O Rio grande do Sul é o paraíso das manadas de grande beleza. São baios, alazões, pangarés, etc. Um homem bem montado sempre trilhou os caminhos da vitória e colheu os louros reservados para pessoas caprichosas e de coragem.

(Sou Gaucho - http://www.sougaucho.com.br/animais/index.htm)
(Salvador Ferrando Lamberrty - ABC do Tradicionalismo Gaúcho)